Panorama do Trânsito Global

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O automóvel é um dos produtos mais cobiçados e utilizados pelo homem nos últimos 100 anos. A marca causada por eles é um carimbo de destruição de grandes proporções junto ao crescimento das cidades e das indústrias dos mais diversos segmentos.

As cidades estão lentas, os automóveis circulam nas vias consideradas veias entupidas, a velocidade média nelas não passam de 15km/h e todas, grandes e pequenas, migram para este problema com as mesmas proporções.

O automóvel, não apenas se tornou um meio de locomoção, mas uma extensão de vida dos habitantes das cidades do mundo todo. Transporte, lazer, diversão, trabalho e utilidade pública fazem do automóvel uma ferramenta primordial.

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[Avenidas cada vez mais congestionadas]

A humanidade, após a revolução industrial de três séculos atrás, se moldou de tal forma a consumir e industrializar produtos, impulsionada pelo motor a vapor que derrubou todas as florestas nativas da Europa para servir de combustível da revolução. A maneira de produzir os alimentos, de tecer os fios, de cultivar a lavoura, de produzir o metal e seus utensílios, de atender o conforto do lar e de se locomover gerou uma produção em massa e sem limites de máquinas e equipamentos.
A descoberta de como refinar e extrair do petróleo os derivados como os lubrificantes e combustíveis, cerca de 160 anos atrás, desencadeou uma cultura de exploração e consumismo, até os dias atuais.
O automóvel vem sendo o símbolo desta cultura, e as conseqüências podem ser vistas e sentidas em nosso tempo. As emissões de aproximadamente dez gases nocivos que contribuem com a destruição da vida natural, do ecossistema, e com o aquecimento global não são os únicos problemas. As cidades estão paradas, o trânsito não flui, os carros estão trancados em gigantescos engarrafamentos que agrava mais ainda as emissões de gases do efeito estufa.

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[As vias urbanas, estaduais e federais parecem uma única estrada]

O conceito de poluição se estende ao automóvel em vários aspectos como o resíduo de freios, pneus, água de radiador e bateria, lubrificantes e filtragem em geral, mas o pior deles é a emanação de gases nocivos ao meio ambiente. Se o trânsito anda lento a média de kilômetros rodados por litro diminui, o combustível é queimado sem utilidade, o motor aquece mais gerando o Óxido nitroso (Nox), prejudicial ao planeta, à saúde, ao motor e ao sistema de escapamento que “enferruja” mais rápido. O desgaste do motor é acentuado e o calor de milhares de motores ligados é a chama do aquecimento global.
O problema que antes eram oriundos das grandes cidades e capitais agora se globalizou. As imagens mostradas nesta matéria são de Blumenau, uma cidade do médio vale e interior do estado de Santa Catarina com pouco mais de 300.000 habitantes, exemplo do que aconteçe em todas as concentrações urbanas. O transito é terrível, lento, violento e sem estrutura, o que parece não ser apenas um problema específico desta cidade, olhando em volta temos cidades vizinhas como Gaspar, Indaial, Itajaí, Balneário Camboriu entre outras que enfrentam a mesma situação. A falta de um transporte eficaz e coletivo juntamente com consciência de todos para a utilização de transporte alternativo, reduzindo a individualidade no trânsito, são temas que devem ser explorados para uma nova ordem social.
Conta a história que, antes da revolução industrial, era praticamente insuportável transitar nas principais ruas de Londres e Paris, devido ao forte odor de excrementos de cavalos pelas ruas. As máquinas trouxeram uma solução melhor de transporte. Quem podia ter um automóvel aquela época estava em uma situação privilegiada era o “top” de tecnologia, inclusive, sob domínio dos mais nobres da sociedade. Mas hoje vivenciamos uma realidade diferente e precisamos dos políticos, empresários, nobres, trabalhadores e todo o povo correndo em busca de tecnologias limpas, pois, o odor expelido por milhões de canos de 2 polegadas, atrás de todo pára-choques, está asfixiando e matando o Planeta Terra.

Texto: Gionei da Rocha
Imagem: Alan Spring